Sinto o gosto dela toda vez que lembro.
Ela odiava sentir o calor do asfalto na sola do pé, eu... bem, quase sem querer, saia galopando entre a pouca calçada e a vasta rua. E me desnudava em risos.
Joga o chinelo mais longe! Com a maldade que me era nativa, observava a bela do meio-dia pular até o outro lado da rua, a tostar os pés alvos, calvos de calos.
Suas mãos me alcançavam fácil, eu era toda cansaço.
Ainda sinto seu gosto entre minhas pernas, do outro lado do muro, onde nenhuma vírgula - ou meio-fio - podia nos separar.
Com o tempo ela virou bolhas de saudade em meus pés frios, pus na boca, casquinha de ferida que não posso mais coçar.
Sinto o gosto dela toda vez que lembro e me descalço em dias quentes.
Só para revidar.
By Camila Passatuto
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