Tudo deve caminhar. O fluxo te jorra e mesmo sem saber a direção eles repetem sem o cansar da língua: "Siga, vença, minta".
Tudo deve se aprontar até o ponto previsto. Tem relógio na parede do banheiro e eu não sei qual a melhor hora, não sei mesmo.
O exército atravessa minha varanda, as botas pisam meu estômago. Eles gritam: "Siga, vença, minta".
Tiro um punhado de lixo da mochila, não tem cigarro. Olho por cima dos óculos, tem alguém me chamando.
- Quando vão entender que estou travada, comendo pouco, não seguindo a massa e na poesia é que apoio e tombo a vida?
Colocaram as máquinas no andar de cima, mal posso respirar. Tem um pescador apressando o mar e encaixaram minha cabeça no processo de ignição do escritório.
- Agora ela se faz útil.
Tudo deve caminhar. Minhas pernas estão no armário da copa, caso precise comprar parafusos.
- E minha alma fugiu, travada e livre. Banhada por algum bom motivo... Travada e livre. -
"Siga, vença, minta"
Não. Até o último giro do corpo objeto.
(Após recusar o óbvio, levou três tiros no peito magro).
By Camila Passatuto
Nenhum comentário:
Postar um comentário