quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Flanela na Glote?

Confundia o trânsito, não ia e nem dava o corpo para atropelar.
O bom é quando as luzes artificiais começam a borrar a pintura de São Paulo, meu astigmatismo faz tudo ficar um pouco Van Gogh.
Cheiro de leve. Tem polícia de cara feia, sabem que além de tudo eu fodo em linhas estreitas. É poesia, ninguém entende. Mas vou juntar tudo e editar um livro póstumo.
Não pode pular a ponte. Vai estragar o fluxo!
Tem polícia de cara feia, sabem que mostro os seios enquanto recito no braço esquerdo do viaduto.
Limítrofe que sou, não me adentro. Corro entre os carros. Uma coroa me olhou zangada, devo ter borrado o lápis.
Não saio da faixa amarela, nem me atiro para baixo do ônibus. Gosto das buzinas que me conduzem a uma dança urbanóide.
É que hoje o corpo quis causar. Estou confusa entre a ponte e o fiat 147...
- Na dúvida, peço uma garrafa, sento no ar e faço da queda o meu saudoso e estatelado bar. -

By Camila Passatuto

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