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Escutei por aí que quem tem o dom ou até mesmo a vontade de escrever deve fazer isso de forma consciente e construtiva. Já escutei gente falando que poesia não leva a nada e que prosa é que mostra quem tem pulso firme.
Eu poderia ficar irritada com o segundo depoimento, mas isso acendeu em mim uma vontade danada de pensar. Pensei muito e não paro de pensar. Então, resolvi colocar no papel tudo o que me passou pela cabeça, tudo o que acho...
Acho que minha opinião é válida, até por demais, eu diria. Não que eu seja uma grande escritora renomada ou algo do tipo, passo até longe disso. Tenho apenas 21 anos (quase 22) ...escrevo desde os 11 anos, quando ainda na escola fundei um jornal alternativo/fora da lei/ e mais que underground, com propósito de informar os alunos do perigo que havia da escola ser fechada por motivos políticos. (informo que a escola não foi fechada, alunos, professores e parte da população lutaram para que tal injustiça não ocorresse). Voltando ao assunto, escrevo desde sempre, com 19 anos construí uma página na internet, o blog Lapiseira e Papel, oficializando minha paixão pela escrita. (nem sei se isso é possível: oficializar paixões). Hoje o blog está um pouco (muito) abandonado por motivos extradesconhecidos, mas em 2007/2008 viveu momentos de êxtase literário. Tudo bem, vou admitir que tenho medo de usar a palavra: literário, mas tenho bala na agulha para arriscar falar isso (eu acho). Hoje possuo cinco blogs, no Lapiseira e Papel até o momento estão postados cerca de 47 poemas. Estou esclarecendo e informando certas coisas para poder desenvolver o assunto que tanto não me deixa em paz.
Escrever poemas não é uma coisa simples, mas não vou dizer que é tarefa difícil para mim, não posso cair na humildade hipócrita e mentirosa. Tenho facilidade nos versos, no ritmo e no tapa na cara. Mas voltando, quero dizer aqui que fazer poesia exige muito. É como pintar um quadro, precisamos de muito conteúdo, saber que tinta usar, conhecer as cores, suas várias combinações, estudar e compreender todas as escolas artísticas, literárias, ter estilo e tantas outras coisas.
Pode ter certeza que quando surge uma poesia de minha autoria em qualquer um de meus blogs, não foi apenas explosão de inspiração. Por trás de cada texto, cada poema, cada frase, existe muito estudo. Mas não se engane com a palavra: estudo.
Um artista não se faz apenas de livros. Muitas vezes é preciso estudar uma dor, uma perda, uma raiva... Estudar melhor sua mulher, cada poro, a maciez dos lábios, o que é quente por entre as pernas... Estudar o carinho de uma criança e a voz de um idoso.
É necessário muito estudo para ser poeta.
Mas e sentimento?
Um dia, lembro-me bem, foi no ano de 2007, uma colega de faculdade fez para mim a seguinte pergunta: “Camila, você escreve o que você sente?”. Naquela época estava transbordando angústia de meus olhos, a resposta foi: “Escrevo porque sinto muito, não me pergunte mais nada, apenas leia.”
Aquele sentir muito na minha resposta, incutido no contexto, parecia um lamentar muito. Mas não era isso que a alma queria falar. Escrevo quando os sentimentos estão explosivos. Algumas pessoas podem falar que é escrita de desabafo, mas arrebato, falo que sentimento em mim é trabalhado, então, é quase manipulação de sentir.
O ato da escrita é orgasmático. Junta-se conhecimento, sentimento e entendimento.
Sei que existem por aí pessoas que apenas escrevem, são simples, não possuem rituais ou coisas do tipo.
Só queria expor uma, das várias formas que devem existir, de “construção elaborada da escrita”. Não pense que esse texto é para me autoafirmar, quem me conhece, ou melhor, conhece minha escrita, sabe que isso não se faz necessário. Mas seguir e concluir o pensamento essa base se torna essencial.
Outro ponto que queria citar é a brevidade de alguns textos, poemas e autores.
Algum tempo atrás conheci por meio do Twitter alguns novos escritores de haicais, também pude tomar conhecimento de certos estilos e postagens de textos breves, selecionados em tags como: #curtaconto #miniconto #microconto.
Encantei-me com essas tais iniciativas que surgiram na rede social Twitter que permite apenas as postagens de 140 caracteres por vez. Tornar uma rede social que aparentemente parece tão sem sentido e fútil em algo que promove e incentiva a produção escrita é mágico (como diria uma pessoa especial).
Não vou falar de qualidade geral do que é produzido, mas existem bons escritores no meio.
Já ouvi criticas contra o #curtaconto #miniconto #microconto, fiquei pensando com os meus botões, as pessoas reclamam demais, isso é um fato lamentável, lamentável quando as reclamações atacam algo produtivo. Não sejamos tão tradicionais e nem extremistas. A escrita prolongada, minuciosa, detalhista, dissertativa não irá sumir, nem perde peso ou coisas do tipo. Só que nos deram espaço, pequeno, mas deram, então, fizemos breves textos.
Pode me perguntar se é um tipo de revolução literária. Bom, não deixa de ser. A brevidade esta em alta e deve ganhar mais espaço, não duvide.
Vejo muitos concursos de microcontos, frases e coisas do tipo.
As pessoas não estão deixando de ler livros, blogs com textos extensos? Creio que não, pois quem tem o hábito da leitura, sempre estará a ler, seja grande ou pequeno o conteúdo.
Quem escreve haicais e microcontos (com qualidade) eu comparo com os fotógrafos que são apaixonados por fotos em macro. Uma foto panorâmica seria livro, você pode olhar milhares de componentes e depois de um tempo concluir seu pensamento, a foto panorâmica encanta por sua extensão, mas a macro é no ponto, é detalhista, está afinco no detalhe, é direta...
Haicais e microcontos... é isso, entende?
E não venha me dizer que qualquer um pode fazê-los. Pois, quem “lê” sabe se a foto foi tirada no automático ou trabalhada no manual.
Pois é, é assim. Tudo parece ser tão simples quando lido com os olhos rápidos e desajeitados.
Escrever é trabalho árduo.
Quem escreve e sabe disso pode ter certeza que deixa na boca de quem lê um sabor suave, aquele de quem acaba de ler algo bom, gostoso...
By Camila Passatuto