Não reclame desse meu jeito alegremente insatisfeito, das
mãos nos bolsos, do balançar maquinário do tronco ou do olhar que parece
penetrar em cada célula, em cada micromolécula que estiver no alcance.
Nem pense em achar ruim quando discurso sobre o passado, o
mesmo, que nunca modifico a essência, mas sim o cenário e personagens. Não
queira sentir raiva de minha certeza, nem torcer o nariz para meus anseios
nulos. Não remova minha razão, nem introduza algo ruim junto aos meus
tesouros... Não chegue perto, porém não fique longe a ponto de não poder não me
ver brilhar.
Não elogie minhas nano-atitudes, nem declare adoração ao meu
sorriso, não caia no meu olhar, não toque minha pele, nem sonhe com o meu
sabor.
Não fique triste se meu orgulho pisar muito forte. Não
deseje o futuro... Não corra na minha frente. Gosto de tropeçar primeiro e
sozinha.
Mas não reclame.
Não sorria a toa ao
meu lado, nem me ofereça alimentos em praça pública, não fale mal do meu amigo
mendigo, nem se vanglorie por suas amizades futilmente cultivadas em solo duro.
Não me ofereça à falsa arte, nem a apoie na minha presença...
Não use andaimes.
Não cochile enquanto eu não estiver com sono, não coma tudo
sem oferecer, não obedeça... não me deixe obedecer.
Não seja obsoletamente ruim com os outros.
Não seja simples por burrice, nem complexa por medo.
Não me desafie, não fuja, não ria daquilo que me faz chorar.
Não goste de coisa pouca para a mente, caso não gostar de
coisa muita.
Não goste de nada... é mais seguro.
Não aspire todo o pó... Não aspire todo o pó, menina...
By Camila Passatuto
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