sábado, 20 de novembro de 2010

Sobre segredos e poemas.

Sento aqui...
Não consigo versar, tudo que penso colocar na folha não me agrada, não satisfaz, não traz gozo literal, lateral, de quem anda empoeirado de letras miúdas, frases quase nulas de existência caligráfica.
Não consigo contar, um conto, dois contos e perco a conta do que estava querendo. Eu perdi o meio e o fim, não sei se é preguiça incutida na alma de marfim, mas mesmo assim, tento atento e não consigo.
Certa manhã eu tinha poesia, mas não ejaculei...
Outra noite, eu podia puxar a carroça dos poetas e assim ganhar esmolas, migalhas de inspirações, mas depois de tanta estrada, perceberia que eles são da mesma laia desse pobre aqui, nos bolsos nem versos, nem moedas... Procuram pelos caminhos tortos as musas, feias ou belas, boas ou apenas adocicadas.
Outra madrugada e fui caçar musas em florestas virgens, mas percebi que elas não existem para minhas flechas, eu deveria envolver uma, mas isso não nasce verso, apenas ninho cheio de pirralhos que para o meu mudo sono não seria o melhor remédio.
Não consigo versar.
Apenas sento em meu mundo real, acaricio um copo d’água, penso que é uísque... Lanço meu cansado olhar para lá do verde que pinta o horizonte... Do meu lado tem folha, tem tinta... Mas é do outro lado da cidade que as minhas palavras rondam, é em algum olhar pequeno, em alguma pele alva, em algum negro cabelo, em algum grave som, em algum pedaço de mim que aqui não está... É por lá que andam meus versos
... e eu não consigo versar.

2 comentários:

simone disse...

e sem comentários. vou compartilhar. Beijos.

Lívia disse...

Você é poesia.